<REVISTA
TEXTO DIGITAL>
ISSN
1807-9288
-
ano 4 n.2 2008 –
http://www.textodigital.ufsc.br/
O “EU” COMO
MATÉRIA DE FICÇÃO – O ESPAÇO BIOGRÁFICO CONTEMPORÂNEO E AS TECNOLOGIAS DIGITAIS
THE “I” AS FICTIONAL SUBJECT
– THE CONTEMPORARY BIOGRAPHICAL SPACE AND THE DIGITAL TECHNIQUES
Ana Cláudia Viegas
Professora adjunta de
Literatura Brasileira
Instituto de Letras - UERJ
Universidade do Estado do Rio de
Janeiro
Rio de Janeiro, Brasil
RESUMO: Considerando a proliferação
de discursos em primeira pessoa e a importância crescente dos testemunhos e
relatos de experiência na mídia, discutirei a formação de um “espaço
biográfico” (Leonor Arfuch) como tendência da cultura contemporânea, e suas
relações com o uso das tecnologias que produzem um “efeito” de presença, de
real. Através da leitura crítica de contos, crônicas e do blog da escritora Cecília Giannetti, e do livro Por que sou gorda, mamãe?, de Cíntia
Moscovich, proponho o conceito de “autoficção” para o estudo do hibridismo
entre realidade/ficção, vida/obra, autor/narrador observado em várias
narrativas da atualidade.
PALAVRAS-CHAVE: Narrativas em 1ª pessoa;
Espaço biográfico; Autoficção; Tecnologias da presença.
ABSTRACT: Taking into
consideration the enlargement of 1st person discourses and the increasing
importance of testimonies and experience reports in the media, it will be
discussed here the formation of a “biographical space” (Leonor Arfuch) as a
trend of contemporary culture, regarding the use of techniques producing an
“effect” of presence, of real. Reading Cecília Giannetti’s tales, chronicles
and blog, and the work Por que sou gorda, mamãe?, by Cíntia
Moscovich, it is proposed the concept of “autofiction” to study the hybridism
between reality/fiction, life/work, author/narrator of several contemporary
texts.
Keywords: 1st person narratives; Biographical space;
Autofiction; Techniques of presence.
Nos últimos anos, tenho me dedicado a pensar
sobre as relações entre a ficção brasileira contemporânea e as tecnologias
eletrônicas e digitais a partir de três vertentes: o uso nessas narrativas de
procedimentos e técnicas provenientes de gêneros não-literários e meios de
comunicação audiovisuais, como a fragmentação, a forte visualidade, a
utilização de múltiplos recursos gráfico-visuais, os microrrelatos; o
mapeamento das redes por onde vem circulando a literatura contemporânea, como
as intervenções de escritores na mídia televisiva, seus sites e periódicos literários virtuais; e, particularmente, os blogs como um novo suporte para a
escrita contemporânea, utilizado pelos escritores como estratégia de inserção
no circuito artístico-literário, oficina criativa, vitrine de sua produção
tanto para editores como para o público leitor em geral, espaço de interação
com o leitor, meio de divulgação de suas obras impressas, diálogo entre pares,
sem esquecer os procedimentos de autoficcionalização que contribuem para a
formação da persona do autor.
Várias práticas de arquivamento do eu produtoras
da subjetividade moderna – guardar papéis, montar álbuns fotográficos, manter
um diário, escrever uma autobiografia – se condensam nessa “espécie de
representação ao vivo da vida” (LEJEUNE, P. apud:
SCHITTINE, 2004, p. 15) nos blogs,
páginas virtuais onde o indivíduo expõe textos, imagens, sons, selecionados e
organizados com a intenção de construir uma imagem de si em permanente diálogo
com o outro. O relato de experiências banais, cotidianas, precárias exercido
nesse arquivamento da própria vida pode ser incluído em um conjunto maior de
narrativas em 1ª pessoa, característico de nosso tempo. A circulação atual de
narrativas que privilegiam o biográfico-vivencial acrescenta ao estoque de
gêneros autobiográficos canônicos – (auto)biografias, cartas, diários, memórias
– outros surgidos ou desenvolvidos, sobretudo, no espaço midiático:
entrevistas, perfis, retratos, testemunhos, histórias de vida, relatos de
auto-ajuda, talk-shows, reality-shows. Leonor Arfuch (2002)
formula o termo “espaço biográfico” para caracterizar a articulação entre esses
diversos gêneros discursivos contemporâneos ligados aos relatos de experiências
pessoais e à exposição pública da intimidade. Duas observações me parecem
importantes ao fazer uso desse conceito: o fato de que a autora argentina não o
propõe como enumeração de tipos de relatos, mas como confluência de múltiplas
formas, gêneros e horizontes de expectativa, num “clima de época”, de modo que,
mais do que uma especificação particular de cada gênero, importaria a interatividade
entre eles, tanto quanto à circulação de modelos de vida como a aspectos
formais dos discursos; e a constatação de que a relevância do
biográfico-vivencial nos gêneros discursivos contemporâneos se estende para
além do universo da cultura de massa, abrangendo os discursos acadêmicos – por
exemplo, na valorização de entrevistas, histórias de vida, particularmente no
campo das ciências sociais, e na discussão das relações entre o pesquisador e o
objeto estudado – e as narrativas ficcionais, nas quais o narrador em 1ª pessoa
está em alta.
De que modo esse “espaço biográfico” se
relaciona com as tecnologias digitais e eletrônicas? Segundo Arfuch, à dimensão
clássica do biográfico como modo de acesso ao conhecimento de si e dos outros,
se somam hoje novas “tecnologias da presença”. O predomínio do vivencial na
atualidade se articula à obsessão de comprovação, de testemunho, à vertigem do
“ao vivo”, do “tempo real”, da imagem transcorrendo sob e para a câmera, do
efeito “vida real”, do “verdadeiramente” ocorrido, suscetível de ser confirmado
por testemunhas, informantes, câmeras e microfones, gravações, confissões...
(ARFUCH, 2002, p. 61). Se a “idolatria da presença imediata” (DERRIDA, J. apud: ARFUCH, 2002, p. 129) –
estabelecendo o corpo e a voz como fontes hipotéticas mais legítimas da
expressão do sujeito – constitui uma tendência crescente nas últimas décadas,
para isso muito contribuiu a televisão e continuam contribuindo as novas
tecnologias digitais, com seus diversos usos e práticas interativos, confluindo
para um espaço biográfico/tecnológico contemporâneo.
O impacto da internet sobre o “espaço biográfico” se faz sentir na abertura à
existência virtual, às invenções de si, aos jogos identitários, propícios à
fantasia da autocriação e ao desenvolvimento de redes inusitadas de
interlocução e sociabilidade. Da mesma forma que os gêneros autobiográficos
canônicos surgiram em correlação com a formação do indivíduo moderno – em cuja
construção tiveram papel preponderante a singularidade, a sinceridade e a
autenticidade –, o “espaço biográfico” atual permitiria perceber o papel cada
vez mais primordial de uma trama interdiscursiva na construção dessas novas
subjetividades. À noção temporalizante de sujeito como autoconstrução a partir
de uma interioridade, se sobrepõe uma noção espacializante: subjetividade
formada por exterioridades, citações, apropriações.
Acatando a sugestão de Arfuch de pensar o
“espaço biográfico” não como uma espécie de macro-gênero, mas sim um cenário
móvel de manifestações e irrupções de motivos, estendendo seu interesse para os
“momentos biográficos” que surgem em diversas narrativas, desenvolveremos
algumas reflexões sobre esse sujeito que se escreve hoje, a partir do blog e de contos e crônicas de Cecília
Giannetti, e do romance Por que sou
gorda, mamãe?, de Cíntia Moscovich.
Cecília Giannetti compõe seus posts com uma diversidade de tipos de
textos: trechos de crônicas publicadas em sua coluna na Folha de São Paulo; comentários sobre o lançamento de seu primeiro
romance, Lugares que não conheço, pessoas
que nunca vi (2007); fotos suas entre amigos, também escritores. Segundo post de 13 mar. 2008, “este aqui é meu
espaço para cometer algumas chulices, comentar a vidinha de escritor e fazer
propaganda dos meus livros” (http://escrevescreve.blogger.com.br).
E, em 21 jan. 2007, afirma: “O Escrevescreve nunca fez o tipo blog arreganhado: namoricos, interesses
idas e voltas de natureza coronária
sempre ficaram de fora dos posts;
aqui, é como limpar a garganta antes de cantar, ou a mesa antes de escrever, é
só filtrar, desopilar escrevendo sobre escrever ou sobre pensar em escrever, e
sobre esperar. De vez em quando, meio capítulo, meio conto.”. Os comentários
sobre escritores seus contemporâneos e mesmo a publicação de trechos de textos
destes vão tecendo a rede de relações pessoais, sociais, literárias. Como
exemplos, um post do blog de Joca Reiners Terron, em 24 mar.
2007, respondendo a críticas à participação no projeto “Amores expressos”[1]
e outro, de 13 mar. 2007, sobre a escolha do título do filme “Nome próprio”, de
Murilo Salles, inspirado em textos de Clarah Averbuck.
A criação de personagens escamoteia a revelação
da intimidade, num exercício de autoficcionalização. Ao mesmo tempo em que fala
do outro (a personagem) para falar de si, esse narrador em 1ª pessoa também
fala de si com um distanciamento, como um outro. O deslizamento da identidade
aparece tematizado no conto “Ilha do Governador, Ilha debaixo da terra”, no
qual a narradora empresta sua carteira de identidade à amiga Ana, menor de
idade, que precisa fazer um aborto: “E, enquanto eu bebia sozinha, ela mostrava
a minha carteira de identidade original, com a minha foto substituída pela dela,
num buraco que servia de sala de operação. Eu não conseguia pensar noutra coisa
e bebia, engoli um comprimido e via Ana sofrendo, sofrendo com meu nome,
sobrenome, com o meu registro, com a minha filiação, com o meu aniversário.”
(GIANNETTI, 2004, p. 19). Na crônica “Paratempo”, publicada na Folha de São Paulo, em 24 abr. 2007, o
eu que narra também se divide em duas: “Deixamos relógios suspensos e a troca
de fuso nos desarruma – trato nossa ziquizira da alma no plural porque agora
somos duas desesperadas: eu e a que deixei no Brasil.”.
A fragmentação e justaposição de textos curtos,
imagens, sons aproxima os blogs do
conceito de auto-retrato e da noção espacializante de sujeito. A
indecidibilidade entre fatos acontecidos e inventados acentua o desdobramento
dessa identidade, de modo que a primeira pessoa serve tanto como fonte de
experiências quanto suporte para a invenção. Embora registre acontecimentos,
opiniões, pensamentos, como num diário, o blogueiro não afirma seu relato como
“verdadeiro”. No conto “Inseto”, Cecília Giannetti, através de sua narradora,
considera o escritor como um falsário: “O mentiroso que dá por encerrada sua
obra ao criar um engano não é um autor de ficção. Mas o que não se contenta em
espalhar pistas falsas com a boca pode tentar escrever para o mesmo efeito.
Aumentar por escrito a mentira falada e espalhada é duplamente ficção.”
(GIANNETTI, 2005).
Nos textos de Cecília Giannetti encontramos
alguns dados biográficos da autora atribuídos a um narrador, ora em 1ª ora em
3ª pessoa. Se na figura do cronista, por definição, se fundem escritor
empírico, autor e narrador, também em seus textos ficcionais, não há uma
separação nítida entre essas categorias. Assim como em suas crônicas há
referências a experiências pessoais – o lançamento de seu romance, sua
participação na Festa Literária de Parati ou uma viagem a Berlim dentro do
projeto “Amores Expressos” –, podemos reconhecer em seus textos ficcionais
alguns dados empíricos. O bairro da Ilha do Governador, onde morou grande parte
de sua vida, ou o de Copacabana, onde mora atualmente, são paisagens constantes
de seus contos, assim como a atividade de jornalista é outro traço em comum
entre a autora e alguns de seus personagens narradores. No já citado conto
“Inseto”, um narrador masculino menciona o romance de C. B. Gonzalez, Lugares que no conozco, a la gente que nunca
vi (versão do título do romance de Cecília, em espanhol), como seu livro
preferido.
A criação de narrativas que sustentam a
ambiguidade entre o espaço da ficção e as referências extratextuais,
aproximando-se do conceito de autoficção, é uma das marcas desse narrador em 1ª
pessoa da atualidade. Essas “ficções de si” constituem-se como narrativas
híbridas, ambivalentes, tendo “como referente o autor, mas não como pessoa biográfica,
e sim o autor como personagem construído discursivamente”. Distinguem-se, nesse
sentido, do uso midiático dos relatos em 1ª pessoa que visam gerar um efeito de
espontaneidade, autenticidade e proximidade. Enquanto o repórter contemporâneo
mistura a suas narrativas sobre o outro testemunhos e entrevistas para dar
maior veracidade e autenticidade a suas reportagens, na autocriação configurada
nos blogs (e também em crônicas,
contos e romances contemporâneos) o escritor se exibe como personagem, “ao mesmo
tempo indagando sobre a subjetividade e posicionando-se de forma crítica
perante os seus modos de representação” (KLINGER, 2007, p. 62). Afinal, esse
narrador “sabe que o ‘real’ e o ‘autêntico’ são construções de linguagem”
(SANTIAGO, 2002, p. 47).
O “efeito de real” da autoficção,
diferentemente do relato realista, não busca aumentar a verossimilhança interna
da ficção, mas “pelo contrário, quebra com a ficcionalidade e aponta para um
além da ficção” (KLINGER, 2007, p. 45). Autor e narrador – categorias
pertencentes, respectivamente, ao fora e ao dentro do texto – se confundem e se
excluem simultaneamente, pois, se há elementos que as aproximam e identificam,
os textos também exibem suas contrapistas, impedindo o leitor de configurar uma
ilusão autobiográfica.
Ao discorrer sobre a manipulação da realidade
pelo autor para construção da ficção, Antonio Candido parte de uma
classificação elaborada por François Mauriac a respeito dos personagens, quanto
ao grau de afastamento em relação ao ponto de partida na realidade, para
afirmar que apenas a terceira categoria seria válida: “deveríamos reconhecer
que, de maneira geral, só há um tipo eficaz de personagem, a inventada; mas que esta invenção mantém
vínculos necessários com uma realidade matriz, seja a realidade individual do
romancista, seja a do mundo que o cerca”. Considerando que a personagem oscila
entre dois pólos ideais – “ou é uma transposição fiel de modelos, ou é uma
invenção totalmente imaginária” –, admite que há personagens que exprimem modos
de ser e mesmo a aparência física de uma pessoa existente, podendo esta ser o
próprio romancista, e que “só poderemos decidir a respeito quando houver
indicação fora do próprio romance, – seja por informação do autor, seja por
evidência documentária”. Parece-me que a inclusão entre os estudos literários
de relatos “pessoais” dos escritores – como a correspondência ou as anotações
em manuscritos, disponibilizadas pela criação e pesquisa de arquivos literários
– e a circulação dos escritores contemporâneos no espaço midiático – com seus
depoimentos e entrevistas acerca do processo de criação de suas obras – vêm
suprir essas informações e documentos necessários para uma relação mais próxima
entre personagem e autor e, no caso das narrativas em 1ª pessoa, narrador e
autor. É claro que as declarações dos autores não estão aqui sendo tomadas como
a verdade última sobre sua criação, pois, como alerta o próprio Candido: “por
vezes é ilusória a declaração de um criador a respeito da sua própria criação.
Ele pode pensar que copiou quando inventou; que exprimiu a si mesmo, quando se
deformou; ou que se deformou, quando se confessou. ” (CANDIDO, 1972, p. 69-70).
E pode, ainda, confundir deliberadamente tais instâncias. A imagem do autor se
constrói nesse jogo entre os textos e sua vida pública. Vida e obra se
constituem como faces complementares, não no sentido de uma revelar ou
esclarecer a outra, mas como instâncias de atuação do eu que escreve que se
remetem uma a outra, indissociáveis.
“Usar-[se] como matéria de ficção” é a proposta
da autora-narradora do último romance de Cíntia Moscovich[2], Por que sou gorda, mamãe?. Como enuncia
no prólogo do livro, trata de purificar “a memória em invenção”. Reconstituir e
narrar os últimos
quatro anos de sua vida não significa, entretanto, um pacto de sinceridade e
fidelidade aos fatos ocorridos: “na passagem do tempo, o branco e o límpido do
bom e da verdade vão se matizando” (MOSCOVICH, 2007, p. 13). A narrativa das
experiências vividas, mais que um simples devir de relatos, é constituinte da
identidade de quem narra, parte essencial no processo de subjetivação. “Para
entender, ingresso pela porta das lembranças. (...) O passado não existe em seu
estado perfeito, bruto e puro como uma pedra. O passado só existe porque existe
a memória, e a memória é traição: tanto subtrai quando acrescenta, tanto rasga
quanto emenda.” (p. 17-18). A narração da vida busca ordenar os estilhaços da
memória, necessariamente não linear, sendo a ficção “a última possibilidade de
juntar um fato a outro e tornar íntegro o partido e o faltante” (p. 18).
Alguns elementos identificadores dessa
narradora indicam semelhanças com a biografia de Cíntia Moscovich: escritora,
jornalista, de família judia[3]. O relato, todavia, não se caracteriza como
autobiográfico: falta-lhe a retrospecção ordenada e doadora de sentido ao
vivido. À seqüência entre o viver e o narrar se substitui a simultaneidade,
narrando-se o próprio ato da escrita. O “livro a ser escrito” vai se compondo
“em tempo real”, “ao vivo”, sob os olhos do leitor. Tanto os livros como a
vida, entretanto, “estão todos inacabados”. Se o prólogo termina com uma
pergunta, que dá início à nova etapa da vida (e da narração) da narradora, o
epílogo (e o livro) também terminam com uma interrogação. A busca da identidade
não se fecha num ponto de chegada, caracterizando um sujeito não essencial,
constitutivamente incompleto e, portanto, aberto a múltiplas identificações, em
tensão com o outro. O caráter dialógico dessa construção se explicita na
frequência do vocativo “mamãe”, interlocutora silenciosa que encena a
destinação de todo texto a seus leitores. A “intimidade exposta como uma
ferida” (p. 245) não se distingue pela singularidade: “o passado de um é a
história de todos. Viver não é nada original” (p. 246). Por isso, essas
narrativas podem ser compartilhadas, despertando o interesse do outro e
permitindo processos de identificação.
Através dos exemplos comentados aqui, procurei
mostrar que esse eu que fala insistentemente de si, seja nas telas ou nas
páginas impressas, participa de uma reconfiguração da subjetividade
contemporânea, na qual as novas tecnologias têm importante papel. Mais do que
um acentuado narcisismo ou um voltar-se para o próprio umbigo, essas narrativas
vão tecendo identidades, enredadas no emaranhado de textos, imagens e sons que
circulam por nossos diversos meios de comunicação.
ARFUCH, Leonor. El espacio biográfico: dilemas de la
subjetividad contemporánea. Buenos Aires: Fondo de
Cultura Econômica, 2002.
CANDIDO, Antonio. A personagem do romance. In: ––– et alii. A personagem de ficção. São Paulo: Perspectiva, 1972, p. 51-80.
GIANNETTI, Cecília. Ilha do Governador, Ilha debaixo
da Terra. In: IZHAKI, Flávio e MOUTINHO, Marcelo (org.). Prosas cariocas: uma nova cartografia do Rio de Janeiro. Rio de
Janeiro: Casa da Palavra, 2004.
-––––. Inseto. In: ––– et alii. Dentro de um livro.
Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005.
KLINGER, Diana. Escritas
de si, escritas do outro: o retorno do autor e a virada etnográfica. Rio de
Janeiro: 7Letras, 2007.
MOSCOVICH, Cíntia. Por que sou gorda, mamãe? 2ed. Rio de Janeiro: Record, 2007.
SANTIAGO, Silviano. O narrador pós-moderno. In: –––.
Nas malhas da letra. Rio de Janeiro:
Rocco, 2002, p. 44-60.
SCHITTINE, Denise. Blog: comunicação e escrita íntima na internet. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 2004.
<REVISTA TEXTO
DIGITAL>
Em 2007, o projeto “Amores expressos”,
produzido por Rodrigo Teixeira com curadoria do escritor João Paulo Cuenca,
enviou dezessete autores brasileiros a diferentes cidades por um mês, para
escreverem, a partir dessa experiência, uma história de amor. Alguns dias da
viagem também foram filmados para a realização de um documentário. Recentemente
foi publicado, pela Companhia das Letras, o primeiro título da série: Cordilheira, de Daniel Galera.
A autora também possuía um blog (http://www.cintiamoscovich.com/blog),
que se encontra desativado desde setembro/2007.
Traços também presentes em outros textos da
autora, como nos contos de Arquitetura
do arco-íris (Rio de Janeiro: Record, 2004).